Aprender a abrir mão de determinadas atividades e distribuir responsabilidades ainda é um desafio para os gestores

RIO — Saber delegar tarefas é uma das principais e mais difíceis competências de um bom gestor. A afirmação feita por consultores está baseada no desafio encontrado por muitos gestores em meio da carreira ou empreendedores que deixaram as áreas técnicas ou operacionais para assumir a liderança de equipes ou do próprio negócio. Para os especialistas, aprender a delegar é um passo indispensável para o profissional ter tempo para priorizar ações estratégicas na empresa e, ainda, é a melhor forma de desenvolver cada membro da equipe.

O maior desafio, na opinião da coach executiva Eva Hirsch Pontes, começa em descentralizar as atividades:

— Muitos gestores têm medo de perder o controle de cada detalhe e pensam que outro profissional não vai dar conta do trabalho. Encontram desculpas como “se eu fizer será mais rápido e do jeito exato que eu quero” para continuarem a fazer aquilo que já dominam.

Sócia-diretora da Yluminarh e professora do Ibmec, Ylana Miller ressalta que delegar é — e sempre será — um desafio para gestores centralizadores, aqueles que têm necessidade de controlar, e dar poder às pessoas e permitir que tomem decisões é motivar, confiar e dar autonomia.

— Esta atitude é de gestores autoconfiantes, que incentivam a participação ativa da equipe sem receio de suas contribuições serem melhores do que as dele.

Eva, por sua vez, completa que o medo de delegar é uma barreira para o bom líder por várias razões. A primeira delas é que, ao continuar fazendo aquilo que fazem tão bem, permanecerão na zona de conforto e perderão oportunidades importantes para sua própria evolução. Além disso, deixam de desempenhar as tarefas que realmente deveriam receber sua atenção prioritária, entre elas a de criar oportunidades de desenvolvimento para cada integrante da equipe:

— É preciso entender que delegar tarefas não quer dizer se desligar delas, mas abrir mão dos detalhes e deixar o profissional realizar as atividades da forma que ele achar melhor. Em outras palavras, delega-se a tarefa, não a responsabilidade.

Ylana concorda com Eva ao afirmar que delegar é diferente de delargar, quando o gestor transfere a responsabilidade e ainda procura culpados quando o resultado não é alcançado:

— A delegação exige comunicação com clareza e acompanhamento contínuo.

A coach faz um alerta: antes de delegar, é preciso conhecer bem as competências e habilidades de cada membro da equipe, para assegurar que o trabalho será desenvolvido da melhor forma.

— Mapear as fortalezas e o nível de maturidade de cada integrante da equipe é essencial para que a distribuição e a realização das tarefas sejam satisfatórias — enfatiza Eva.

Além de tudo, diz Ylana, um gestor que delega pode assumir desafios maiores, além de potencializar o desenvolvimento da equipe:

— Certamente, seu legado será diferenciado.

Eva lembra, ainda, que o papel de um chefe não é apenas passar, de forma clara, as atividades que devem ser desenvolvidas, mas também supervisionar o profissional na execução das tarefas, compartilhar com ele o que a empresa pretende com aquele resultado e estimular o colaborador a desempenhar as qualidades e competências que possui durante a execução do trabalho.

— Ao delegar as tarefas e ter certeza de que todos compreenderam, é necessário combinar pontos de monitoramento para que a equipe possa esclarecer dúvidas e sanar as dificuldades ao longo do processo. O feedback é uma excelente forma de orientar o rumo desejado para cada atividade e valorizar o profissional responsável.

Agora, se mesmo assim a tarefa for executada de forma inferior à esperada, não aponte o dedo: o certo é sinalizar os pontos que poderiam ser melhorados para que a atividade tenha um melhor resultado da próxima vez, completa Eva.

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