Desde pequenas modificações no processo produtivo até a captação de novos clientes, roteiro para se adaptar ao novo mercado passa por conhecimento de novos hábitos e desejos dos consumidores e digitalização de processos

A inovação, seja de produtos ou processos, pode ajudar a salvar empresas durante a pandemia da Covid-19. A velocidade com que a crise atinge as diversas regiões do País exige que os empresários corram contra o tempo para se adaptarem à nova realidade.

Tecnologia e inovação são conceitos que andam juntos e tendem a remeter a altos custos de investimento. Mas, segundo a especialista em inovação Robertta Mota, o processo pode ser percebido desde pequenas mudanças.

“As inovações usam diferentes tecnologias, elas podem ser organizacionais, de modelo de negócios, de arranjos produtivos, de troca de fornecedores, de atuação em mercados diferentes, de aplicação do mesmo produto a outros setores”, exemplifica.

Para atravessar esse período de turbulência com menos impactos negativos, os negócios devem perceber primeiramente as mudanças no comportamento dos consumidores e de suas necessidades.

Segundo o advogado Rafael Abreu, especialista em Direito Empresarial, o período de isolamento social deve mostrar um novo conceito de normalidade para os consumidores. “É importante o empresário refletir sobre qual é o ‘normal’ que ele espera encontrar ao retomar integralmente as atividades. Muito provavelmente, esse ‘normal’ não vai ser o mesmo de antes”, adverte.

Na avaliação do advogado, o processo de comunicação interna deve ser o primeiro passo para reduzir os danos provenientes do cenário de pandemia. “As empresas precisam se reunir com os seus diretores financeiros e o pessoal da estratégia, para que reavaliem todas as obrigações mensais versus o que eles vão ter de recebíveis, esse é o primeiro passo”, indica Abreu.

A redução da receita durante a pandemia pode ser interpretada como sinal de que é hora de inovar dentro dos processos produtivos. “Essas organizações precisam buscar soluções para aumentar a produtividade, a competitividade, adotar estratégias voltadas à redução de custos e combinar isso com a capacidade de planejamento de gestão, para que elas possam absorver as exigências do mercado”, explica Robertta Mota.

A percepção dos novos hábitos dos clientes incentivou a Acal Home Center a disponibilizar o serviço de delivery e e-commerce durante a quarentena. O atendimento é oferecido por WhatsApp, telefone e site da loja, por onde é possível escolher itens para realizar reparos, reformas e organização do lar.

Novos hábitos

É unânime entre os especialistas que a condição de isolamento social vai criar um mundo diferente, com novos hábitos de consumir e isso consiste em gerar novas formas de produção e prestação de serviço. É necessário enxergar as oportunidades.

Nesse contexto, observa-se que empresas que já tinham uma cultura digital, com rotina de trabalho e estruturas realmente digitais, saem na frente. E aquelas que descobriram no meio digital nova forma de lucrar devem aplicar mudanças que vão se manter no pós-pandemia.

Para o professor Christian Avesque, da Faculdade CDL, a pandemia vai dar velocidade a um movimento já conhecido no varejo de países desenvolvidos e que já começou a chegar aos negócios brasileiros, a chamada multicanalidade. “Esse fenômeno é observado, principalmente, em mercados mais maduros, nos quais as empresas fundem operações de lojas físicas com lojas virtuais”, explica o professor.

De acordo com Avesque, a jornada de compra do consumidor não é mais linear, é multicontato, podendo começar na internet, realizar a compra no aplicativo e retirar na loja física. O decreto de isolamento social, em vigor desde o dia 19 de março, no Ceará, está acelerando esse processo, já que as empresas cearenses foram forçadas a funcionar de portas fechadas.

O movimento SimpliFIQUE em Casa, da loja de construção civil Simplifique Home Center, aplica este conceito em suas atividades. A empresa, que atende a toda Fortaleza e Região Metropolitana (RMF), disponibiliza os serviços de vendas por telefone, WhatsApp e e-commerce, com a criação de um hotsite para efetuar pagamento remoto. Apesar de precisar fechar momentaneamente as lojas físicas, manteve a equipe interna de vendedores, com regime de flexibilização de jornada, para evitar aglomeração.

Passo a passo

A velocidade com que as empresas começam a implementar em sua rotina essas adaptações deve refletir diretamente na dimensão do impacto da crise sobre seus negócios – ou seja, quanto antes, melhor. O professor Christian Avesque, da FCDL, aponta três passos fundamentais para que o processo de multicanalidade seja bem implementado.

O primeiro é estabelecer um canal de comunicação digital com o cliente, que podem ser as mídias sociais (Instagram, Facebook e Twitter). Outra etapa é oferecer facilidades no serviço de entrega, através de delivery, drive thru ou pick and go (compra online e retirada na loja).

O terceiro passo, segundo Avesque, é disponibilizar pontos remotos de pagamento via internet e oferecer o cadastramento do cartão de crédito, para que o consumidor, depois da primeira compra, não precise reinserir os dados. A adoção dessa última estratégia é observada em aplicativos de entrega de alimentos e no e-commerce em geral.

Fonte: diariodonordeste.verdesmares.com.br

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