Com baixo investimento inicial, empreendedores conseguem se estabelecer e ampliar seu faturamento

Rio – Uma poupança modesta não é empecilho para empreender. Mesmo com baixo investimento, há quem consiga fazer o negócio próprio dar certo e decolar em pouco tempo até em períodos de crise. Com a chef de cozinha Mechelle Gonzaga, de 37 anos, foi assim. Ela tinha apenas R$ 500 para lançar a sua marca de hambúrgueres artesanais ‘Poderosa na Chapa’ em um evento há um ano. Ainda que arriscado, o projeto deu certo: hoje ela é presença garantida em circuitos gastronômicos engordando seu faturamento.

“Com pouco dinheiro, só pude comprar uma chapa pequena, de R$ 100, e usei equipamentos emprestados. Foi arriscado, mas valeu a pena”, conta a Microemprendedora Individual (MEI), que conseguiu vender todos seus produtos e teve faturamento de R$ 4.500 neste primeiro evento.

Após o sucesso do primeiro evento com a ‘Poderosa na Chapa’,Mechelle investiu em equipamentos para ampliar sua produção e hoje é presença disputada em feiras gastronômica Foto: Divulgação

O resultado positivo foi um termômetro para a decisão de abandonar seu emprego em uma hamburgueria da Zona Sul e investir pesado na marca. “Comprei mais equipamentos. Vendi meu carro para comprar um maior, para que eu pudesse carregar tudo para os eventos”, completa ela, que já planeja abrir sua loja.

Mas o sucesso, ressalva Mechelle, não é mero acaso. Para a cozinheira, sua experiência no ramo aliada à dedicação ao trabalho são os ingredientes mais importantes. “Toda a receita é artesanal, até as batatas chips que acompanham o sanduíche. E coloco pessoas de confiança, da minha família, para trabalhar comigo, prezando o bom atendimento”, destaca ela, que ainda fez cursos de empreendedorismo.

A estudante de Marketing Carollina Souza, 27, também mostra que é possível começar com pouco e vingar. Em julho do ano passado, ela criou a marca Mania de Pulseira, com apenas R$ 100.
“Comecei vendendo para amigos e a demanda foi crescendo. E depois que criei uma página nas redes sociais, as vendas aumentaram mais”, relata Carollina, que soma faturamento mensal de R$ 6 mil.

Para ampliar seu negócio,ela interrompeu um estágio e se formalizou como MEI. Agora, a empreendedora expõe semanalmente em feiras de artesanato e em bazares. “Invisto na produção e em bom preço, criando um diferencial dos meus concorrentes”, diz.

OPORTUNIDADE

Para driblar os desafios impostos pela alta do desemprego e a retração na economia do país, os empreendedores devem ficar de olho nas melhores áreas para investimento em 2016.
Segundo o Sebrae, o setor de preparo de alimentos ainda está em alta. Confecção de roupas e bijouterias e o setor de beleza e estética também integram a lista.

Negócios de reparação de veículos e motos também estão em alta: enquanto as vendas caem, os consumidores buscam alternativas para manter seus automóveis. Conserto de computador e recarga de cartuchos também são boas áreas.

Pequenos investidores: MEI é melhor opção de baixo custo


Para quem planeja começar um negócio com pouco investimento, a formalização como Microempreendedor Individual (MEI) é o melhor caminho, ensinam especialistas. Para se tornar MEI, é preciso ter faturamento anual baixo, de até R$ 60 mil, o que amplia as possibilidades de formalização de pequenos investidores.

A facilidade para se cadastrar e a carga tributária reduzida são vantagens para quem tem poucos recursos. Além disso, o MEI pode ter sua casa como ponto de referência, o que desonera o investidor. E o crescimento do número de MEIs mostra que essa tem sido a alternativa de muitos investidores. Em março deste ano, havia 5,7 milhões, 20% a mais que no mesmo mês do ano anterior.

Para se constituir, basta ir no Portal do Empreendedor, ficando obrigado a pagar mensalmente INSS, ICMS (se for indústria ou comércio) e/ou ISS (atividades de serviço). Ele também só poder ter até um empregado. Além dos baixos custos, a coordenadora do Sebrae/RJ na Zona Oeste, Denise Schalom, faz outro destaque: “Como ele paga contribuição para o INSS, ou seja, ele receberá benefícios em caso de acidente ou doença”, completa.

Mas para reduzir os riscos e fazer dar certo, Denise lembra que é importante fazer um plano de negócios antes. “Tem que colocar no papel todos os custos e planejar. O Sebrae presta consultoria gratuita para isso”, afirma.

As atividades de prestação de serviços, confecção de doces e preparo de alimentos, por exemplo, são ideais para o MEI. Apostar no diferencial de seu produto é outra dica para quem está começando, como recomenda o diretor da Associação Comercial do Rio, Pedro Rafael Azevedo. “Para quem for fazer doces, por exemplo, enquanto há muita oferta de brigadeiros, invista em outro, como o beijinho”, opina.

No lugar da loja física, uma página na internet. Essa é a proposta do comércio eletrônico, que acaba aliviando o empreendedor de encargos com aluguel de espaço. “Ele só terá gasto mensal com provedor”, diz Pedro. Ele acrescenta que atividades de prestação de serviços não necessitam de vendas on-line. “Pode-se usar redes sociais.”

Franquias também são a aposta de iniciantes

Há quem opte por investir inicialmente em franquia. Com isso, o empreendedor já encontra uma marca pronta e um plano de negócios preparado para começar o seu projeto. E a adesão ao modelo vem crescendo.

Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o setor de franquias teve alta de 8,3% em 2015 frente a 2014, atingindo R$ 139,5 bilhões em faturamento.  O Rio de Janeiro acompanhou esse movimento e teve alta de 14,2% em faturamento. O estado também participa com 13,2% do faturamento do País somando um total de R$ 18.4 bilhões.

Foto: Arte O Dia

De acordo com a ABF-Rio, a maioria das redes do Estado do Rio atua nos mercados de Alimentação (29%), Esporte, Saúde e Lazer (18%), Educação e Treinamento (13%). O Estado é o segundo em número de redes, com 349 marcas, com 13.834 lojas em operação, atrás apenas do Estado de São Paulo.

Presidente da ABF-Rio, Beto Filho defende a aposta em franquia como a alternativa menos arriscada para o pequeno empreendedor que está começando.  “Isso é um fato. A taxa de mortalidade de empresas do setor de franchising em 2015 foi de 3,7%, enquanto para quem criou o próprio negócio chegou a 50%”, declarou o presidente da ABF-Rio, Beto Filho. A faixa mínima para abrir uma franquia, avisa ele, é de R$ 3 mil. “Com esse valor já dá para abrir uma franquia, ou seja, há opções de baixo custo”, afirma.

Para o negócio decolar, ele indica a participação em palestras e eventos do setor, bem como seguir à risca as recomendações do franqueador. “A relação franqueador e franqueado tem que ser positiva. Quando se começa carreira-solo não há parâmetros para tomada de decisão. Por isso deve-se aproveitar o marketing e os ensinamentos da marca”, diz.

Via O DIA

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