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Home office ou presencial? Modelo híbrido deve prevalecer nas empresas

Após impacto da pandemia, especialistas avaliam efeito do teletrabalho no mercado e apostam em formato híbrido para equilibrar interesses e necessidades corporativas e qualidade de vida dos profissionais

Passado o período mais crítico da pandemia e o consequente regime forçado do home office, com o retorno da maior parte das atividades presenciais, é hora de as empresas avaliarem se a experiência deve continuar sendo incorporada ou se o modelo se esgotou sob a pressão da urgência.

Especialistas em gestão de pessoas apostam que o trabalho remoto deverá funcionar melhor com a adoção de um formato híbrido – com profissionais exercendo a função parte em home office, parte presencialmente – passando por ajustes e estabelecendo limites claros para preservar a qualidade de vida dos colaboradores e o objetivo das instituições, levando em conta, claro, o perfil de cada negócio.

Pelo caráter urgente, o home office experimentado pela maioria das pessoas nos últimos oito meses, certamente, sofreu influência de questões não só estruturais, mas pessoais, familiares e psicológicas. Mas também serviu para derrubar preconceitos com relação à produtividade, como enfatiza o gestor de Recursos Humanos e professor de Administração Pública Alex Cavalcante Alves.

“Usado em larga escala, serviu para superar mitos de que as pessoas não trabalhariam. Deve continuar a existir de forma conjugada com o trabalho presencial nas atividades em que seja possível, e com alguns limites, claro”, reitera. O gestor acredita que as organizações podem encontrar o equilíbrio mantendo metade de seus funcionários em trabalho remoto.

“Numa situação de normalidade, a quantidade de pessoas em teletrabalho, gostando do teletrabalho, tende a se normalizar e ir pra média, digamos. Organizações que tiveram 80% das pessoas em teletrabalho nesse período (pandemia), pode ser que encontrem seu ponto ótimo ali com 50%, 40%, 30% em teletrabalho”, avalia Alves.

A tendência para o modelo misto também é assegurada pela gerente Executiva de Seleção Valéria Mota. “Passado todo esse tempo, muitas empresas decidiram não voltar. Algumas ainda acham inseguro, e outras acharam nesse modelo resultados fantásticos, em que não caiu a produtividade, o custo foi menor, a qualidade de vida do colaborador foi melhor. Muitas empresas vão manter escritório como modelo padrão mais para receber cliente, mas continuam com o modelo home office. E isso mudou muito o mundo corporativo”, declara Mota.

A executiva vê na agilidade dos processos rotineiros, como a realização de reuniões online, uma vantagem para o mundo corporativo.

“Reuniões com clientes, com equipes de trabalho, coisa que você perdia meia hora pra se deslocar, meia hora pra voltar, agora você resolve tudo em menos tempo, sem trânsito, sem perda de tempo. Por isso, algumas empresas optaram por adotar como mecanismo oficial o home office”, ilustra.

Rotina fora de casa

Shara Duran trabalha no departamento pessoal de uma empresa há um ano. Ela passou com tranquilidade pelos três meses em home office que precisou cumprir, tendo espaço reservado em casa para exercer o trabalho. Apesar de o home office ter ajudado a funcionária a juntar dinheiro, eliminando despesas com gasolina, ela sentiu falta de sair de casa e prefere continuar com a rotina que sempre levou. “Trabalho há tanto tempo saindo de casa, me locomovendo, senti falta de ver outras pessoas, de estar com as pessoas do meu trabalho”, enfatiza Duran.

Porém, a economia e o ganho de tempo podem ser encarados como vantagem para quem aprovou o home office. “Esse ganho de qualidade de vida que é dado pras pessoas, que deixam de perder tempo em deslocamentos, às vezes até em ter que se produzir, se arrumar pra ir pro trabalho, a questão do ritual, pegar o carro, abastecer, ou esperar um ônibus, acaba sendo revertido em prol do trabalhador, gera também benefícios pra empresa ou órgão público, porque o trabalhador tende a ser mais produtivo, eliminando esses pequenos desgastes que ele teria”, avalia Alex Alves.

Ritual

Mas foi justamente a falta do ritual que fez o contador Diassis Beserra rejeitar o home office. “Parece que um pedaço da sua vida foi tomado”, expõe. Habituado, há 40 anos, ao compromisso do expediente de oito horas diárias no escritório, Beserra não se adaptou ao trabalho remoto.

“Mais ou menos 40 anos da minha vida foi com expediente marcado, aquele que você chega de manhã no horário certo, sai meio-dia pro almoço, depois volta, chega em casa 18h. É difícil mudar. Eu gosto demais”, frisa.

O trabalho dele exige também viagens semanais para atender clientes na cidade de Crateús, na região do Sertão Central e Inhamuns. Mais uma vez, a liberdade de locomoção na rotina é um elemento considerado importante. “Eu gosto é de ter que sair de casa pra ir para o trabalho todo dia”, reforça o contador.

Já para a funcionária de Beserra, a contadora Elyziária Ferreira Silva, trabalhar de casa ajudou na produtividade ao reduzir o tempo de percurso até o escritório, que levava cerca de duas horas.

“O que se faz dentro de um ambiente de trabalho pode se levar pra casa também. Sempre fui muito responsável, trouxe tudo o que eu executo dentro do ambiente de trabalho presencialmente para o home office. Minha produtividade até aumentou, porque tive mais tranquilidade”, afirma.

Em casa, a contadora tem mais comodidade, mesmo cumprindo o horário estipulado pelo chefe. “Me adaptei muito bem, trouxe mais comodidade, flexibilidade. Aqui posso tomar um banho no intervalo pra relaxar, tem essa qualidade de vida que não podia ter no escritório”.

Contato humano

Mudar os moldes do trabalho é também mexer com a cultura do brasileiro, diz o gestor de Recursos Humanos Alex Alves. Para ele, o “fator humano” é o que impossibilita com que o home office seja o modelo ideal de trabalho.

“Claro que a gente entende que não tem como prescindir totalmente do modo presencial, especialmente com a cultura como a do brasileiro, muito ligado ao contato humano. Até pra fins de manutenção da cultura da organização é importante ter momentos de convívio presencial”, pondera o especialista.

Fonte: diariodonordeste  por Cinthia Freitas

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