O rodízio pela empresa oferece ao jovem ainda a chance de descobrir se realmente gosta de trabalhar na administração do negócio familiar –e essa reflexão permite que, no limite, o jovem até desista de assumir o negócio.

Leonardo Viegas, conselheiro de administração do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), recomenda, nesse sentido, que mesmo que o filho escolha seguir outra carreira, o pai se dedique a transmitir para ele os valores e os conhecimentos necessários para acompanhar a empresa.

Para ele, noções de contabilidade e gestão de pessoas serão sempre úteis, mesmo que o herdeiro decida não assumir a empresa –servirão, nesse caso, para que ele acompanhe as ações do gestor que a empresa contratar para administrá-la.

Como essa formação pode levar algum tempo, Viegas reforça a importância de começar a planejar a passagem do comando com antecedência –sempre podem surgir disputas na família ou outras dificuldades, que, na falta de organização prévia, podem pegar o novo chefe desprevenido justamente no momento em que ele tem menos experiência para lidar com os imprevistos.

Há ainda um fator ligado à clientela: se os que fazem negócios com a empresa forem se habitando gradualmente a lidar com o novo gestor, eles tendem a ser mais fiéis quando a sucessão se concretizar por completo.

Outro especialista, Fernando Curado, professor da BSP (Business School São Paulo), diz que a empresa da família é um patrimônio herdado como qualquer outro e exige responsabilidade.

Para ele, não há contradição necessária entre unir a tradição e a cultura da empresa com as novas ideias e procedimentos trazidos por quem assume o comando.

“Há continuidade em muitas direções, mas também é uma oportunidade para que apareçam ideias novas.”

TERCEIRA GERAÇÃO

Luciano Dos Santos, 39, começou aos 14 anos a trabalhar na Marcenaria Esperança, aberta pelo pai, Milton, em 1971.

No início, o filho fazia serviços gerais, de limpeza e organização das máquinas e ferramentas.

Aos poucos, foi tomando gosto e assumindo novas funções e se especializou, fazendo cursos de desenho, sempre incentivado pelo pai.

Com 20 anos, virou sócio. Passou a ser o responsável pela parte de criação, enquanto seu pai, mais carismático, fazia a administração e as vendas.

Luciano diz que ser sócio do pai era fácil, porque as funções eram bem definidas “Ele sempre teve muito cuidado para dizer o que queria e para cobrar.”

Mas a responsabilidade pela empresa passou para ele e seu irmão, Leandro dos Santos, 31, de forma repentina em 2004, quando o pai morreu em um acidente.

“Ficamos em dúvida até se iríamos continuar. Acabei assumindo toda a parte que meu pai fazia na firma.”

Ele diz que a maior dificuldade foi a falta de conhecimento administrativo e a dificuldade que tinha para realizar as vendas.

“Demorou um ano e meio até chegarmos à conclusão de que precisávamos procurar cursos e nos capacitar para fazer o que ele fazia.”

Após a experiência, ele diz que vai preparar o filho, Henrique, 18, que já trabalha na empresa, para estar pronto quando for sua vez. “Contamos para ele que enfrentamos essa dificuldade. Ele já tem interesse em fazer um curso de administração”, diz.

E a vantagem de ter uma empresa de tantos anos?

Luciano diz que é a tradição no produto e a clientela fiel. “Tem clientes que me dizem que já compram com a gente antes mesmo de eu ter nascido.”

Fonte: Folha de S.Paulo

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