Consultores falam sobre o que não deve ser feito ao começar um novo negócio. Principais equívocos estão relacionados a falhas em planejamento, gestão e comportamento do empreendedor, diz Sebrae.

Motivação e um bom produto nem sempre são garantias para um negócio ser bem sucedido. Muito pelo contrário, sem diretrizes básicas para o desenvolvimento e preservação da empresa a longo prazo, aquele “trabalho dos sonhos” pode estar fadado ao fracasso.

O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) afirma que equívocos no planejamento, na gestão empresarial e no comportamento do empreendedor são as principais causas do fechamento de empresas no Brasil.

Como base em recomendações de consultores em empreendedorismo, o G1 reuniu quais são os 10 erros principais ao abrir uma empresa. Eles vão de levar a empreitada como um lazer a confundir as contas de Pessoa Física (PF) e Pessoa Jurídica (PJ). Confira a lista:

1. Tratar a empresa como hobby

Tirando aqueles casos nos quais, de fato, a empresa é apenas um lazer para seu dono, o negócio não deve ser tratado como tal. Não é porque você ama plantas que se tornará um bom empresário do ramo, por exemplo.

“A atuação tem que ser escolhida não com base naquilo que a pessoa quer vender ou gostaria de vender. Ela pode ter hobby, mas o hobby vende? Talvez transforme isso em um negócio que pode não dar certo”, explica o consultor de marketing Conrado Adolpho.

Para quem vai começar, escolher um nicho que goste pode ser um norte para guiar o negócio, mas isso não é garantia de sucesso. “Você não vai passar o dia fazendo aquilo”, diz Rodrigo Fizman, CEO do grupo Solum, que trabalha com a gestão de pequenas e médias empresas.

Ou seja, não poderá passar o dia fazendo os arranjos, no caso de uma floricultura, porque a parte administrativa consumirá muito de seu tempo.

2. Começar sem plano de negócios

O plano de negócios é um documento que traz referências importantes sobre a empresa, para que o empreendedor possa calcular os riscos, avaliar alternativas e evitar decisões falhas. Entre os pontos analisados devem estar quem são os clientes, concorrentes e fornecedores.

Precisa ser feito antes de começar o negócio de fato, para servir como alicerce, mas essa não é a realidade dos novos empresários no Brasil.

“A maioria não sabe o que é [o plano de negócios]”, afirma Conrado Adolpho.

O consultor também alerta que o plano de negócios não deve ser algo estático. “Quando você entra no mercado, aquele negócio não se mostra como planejou”, diz. “É necessário mudar o plano, então o conceito que se trabalha muito é a modelagem do negócio, que é fazer um modelo, que vai mudar quando você começar a interagir com o mercado.”

O Sebrae recomenda mais de 6 meses de planejamento, para o empreendedor conhecer melhor o mercado que vai atuar.

3. Escolher o ponto de venda errado

Não adianta vender sorvete no Polo Norte. Esse é um exemplo extremo, mas a dica é válida para quem começa um negócio. Escolher o ponto de venda para o seu produto é fator básico, mas também crucial para a longevidade do empreendimento.

“A maioria das pessoas pensa no produto, como roupa, mas o ideal é analisar bem a concorrência para saber qual o público de sua área”, explica Conrado.

Por isso, é necessário ir a campo, conhecer as pessoas da região, saber seus gostos e suas peculiaridades demográficas, com idade e sexo.

4. Confundir PF com PJ

Para controlar as contas da empresa é necessário um mínimo conhecimento de finanças, mas, se o empreendedor misturar os gastos de Pessoa Física (PF) com de Pessoa Jurídica (PJ), a dificuldade pode ser ainda maior.

“Ele gasta o aluguel dele que deveria pagar a comissão do vendedor. E então pega empréstimo, mas o empréstimo ‘come’ a parte de lucro dele. Então, começa uma ciranda financeira”, exemplifica Conrado Adolpho.

Essa mistura entre assuntos pessoais e da empresa vai além somente da conta bancária, empresário Rodrigo Nunes, sócio com sua mulher na franquia Ad Clinic, aponta que saber separar a vida privada da de trabalho é um dos segredos para sucesso de sua empresa.

“Temos reuniões marcadas apenas para falar sobre o trabalho”, diz Nunes, explicando como separar a vida profissional da pessoal.

Uma outra dica importante é separar um pró-labore, que é o valor retirado pelos sócios, fixo. Desse modo, haverá uma organização para não tirar dinheiro extra dos lucros da empresa.

5. Não buscar formação específica

A história do autodidata de sucesso pode ser muito bonita, mas essa é uma realidade de poucas pessoas. Para os especialistas, buscar uma formação teórica é um dos pilares para um negócio bem-sucedido.

Marketing em vendas, gestão de pessoas e educação financeira estão entre os temas indicados por consultores para quem vai cuidar de seu negócio.

O Sebrae, por exemplo, fornece uma série de cursos e informações gratuitos para empreendedores, inclusive com aulas via WhatsApp.

6. Subestimar custos

É indicado prever os gastos e os lucros, mas muitas vezes as contas acabam sendo muito maiores do que se esperava.

“É importante você colocar os números no papel. Você vai fazer ‘futurologia’, você vai chutar. Depois que você fizer tudo, corte pela metade as vendas e dobre os custos. Então, terá um ponto de partida”, diz o gestor Rodrigo Fiszman.

Outros pontos importantes são controlar os indicadores de resultado e manter o fluxo de caixa organizado.

7. Não dar atenção aos clientes

Aquele ditado popular não pode ser esquecido ao se abrir um negócio.

“O cliente é quem manda”, relembra Fiszman. “Você precisa ter um foco no cliente muito grande, escutar o que ele quer”.

Ou seja, simplesmente ignorar quem são os seus futuros compradores não é uma boa ideia. Um exemplo prático é não fazer a análise de qual o gosto dos clientes da área onde será instalado o seu ponto de venda, por exemplo.

E também é preciso focar no atendimento e técnicas de venda.

“Venda não é improviso, venda é treino”, afirma Eder Max, consultor do Sebrae.

Um dos caminhos, segundo o especialistas, é fazer a chamada venda consultiva, ouvindo as necessidades do comprador. Para isso, também é necessário conhecer aprofundadamente o produto que se comercializa.

8. Excesso de otimismo

Aquele otimismo exagerado também pode prejudicar o futuro da empresa. Na hora de fazer planos, o indicado é começar com o conjunto mais enxuto possível, como explica o consultor Conrado Adolpho.

“O raciocínio é como eu consigo montar um negócio pequeno o suficiente para, mesmo que eu venda pouquinho no início, ainda consiga ter algum lucrinho para não mexer na reserva de emergência”, explica.

Também não é apropriado gastar toda a sua reserva de dinheiro, apostando tudo no novo negócio. “O empresário monta um negócio dos sonhos e pensa: eu consigo manter esse negócio por um ano, não. Ele tem que pensar: o que eu consigo manter com o lucro da própria empresa”, diz Conrado Adolpho.

9. Esquecer das burocracias

Para negócios pequenos, a dica básica é contratar contador, advogado e focar em bons contratos com fornecedores, mas o ponto principal e seguir corretamente as obrigações com funcionários.

“Me preocuparia mais com a justiça trabalhista. Nesse caso, você tem um problema sério que pode acontecer desde o primeiro dia”, afirma o consultor Conrado Adolpho.

10. Não saber a hora de parar

Se tudo está dando errado, outro equívoco é seguir forçando algo que não traz resultados. De acordo com os especialistas, é importante tentar várias alternativas antes de desistir, mas também não se pode perder todas as reservas antes de fechar o negócio.

Fonte: g1.globo.com Por Rafael Miotto

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