Apesar da ideia fantástica, do trabalho árduo e do esforço gigantesco dedicado ao próprio negócio, poucas empresas são bem-sucedidas e muitas fecham antes de completar um ano de vida. Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae, a “causa mortis” está relacionada à falta de planejamento prévio, à gestão empresarial precária e ao comportamento do empreendedor.

Interessante notar que as percepções do empreendedor e do consultor, sobre os fatores que determinaram a mortalidade do empreendimento, são diferentes. Pesquisa da revista “Pequenas Empresas & Grandes Negócios” aponta tendência de o empreendedor elencar razões externas, responsabilizando recessão, impostos, concorrência, falta de crédito. Já os consultores parecem ter visão mais neutra e realista. Tendo a concordar mais com os consultores e revelo quais são, para mim, os pecados capitais do empreendedor.

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Editoria de Arte/Folhapress

PESSOA FÍSICA X JURÍDICA

Separe suas contas pessoais das da empresa. Mesmo que você não tenha sócio, trabalhe sozinho, em casa, mantenha o dinheiro em bolsos separados. Misturar o dinheiro da pessoa física ao da jurídica impede a gestão do seu orçamento pessoal e não permite avaliar o desempenho da empresa. Faltou dinheiro para fechar o mês? Onde está o problema? A família gastou demais ou o negócio não gerou a receita esperada?

Defina um pró-labore para remunerar o seu trabalho e, no dia certo, retire esse valor do caixa da empresa, se houver. O saldo excedente deve permanecer na empresa para manter o negócio saudável. Nunca pague despesa da família com dinheiro da empresa e vice-versa.

RECEITA X LUCRO

Muito empresário confunde dinheiro no caixa com lucro. Faturamento não é lucro! As despesas, fixas, e as variáveis, que ajudaram a gerar essa receita, ainda não foram pagas. Os impostos também não. Lucro é o resultado das receitas brutas menos os custos fixos e outras despesas. Não caia na tentação de sacar dinheiro da empresa achando que está sobrando. Um bom relatório gerencial vai deixar claro o que é receita e o que é lucro. A decisão de sacar ou reinvestir no negócio é sua.

ERRAR NO PREÇO

Nem barato nem caro. É fundamental definir o preço correto do serviço ou produto que sua empresa oferece. Se for muito baixo, para atrair clientes, não será suficiente para pagar as contas. Se for muito alto, não será competitivo e o cliente não virá.

A composição do preço deve considerar, basicamente, os custos diretos de produção ou de fornecimento do serviço; os custos fixos e indiretos que independem do volume de venda; preço da concorrência e diferenciais que sua empresa oferece.

DESCUIDAR DO CLIENTE

Ter um único cliente pode viabilizar a abertura do negócio. Entretanto, essa é uma situação vulnerável. Ele pode atrasar o pagamento, cancelar pedidos ou encerrar o relacionamento. Seu desafio é dedicar tempo aos clientes atuais, conhecer seu negócio e oferecer serviços para agregar valor à sua atividade. Mas também prospectar novos clientes, formando uma base confortável para assegurar uma receita estável e crescente para sua empresa.

FLUXO DE CAIXA

O cliente vai pedir prazo para pagar. E as contas não esperam. O descasamento entre entradas e saídas de caixa é outro enorme desafio. Ter dinheiro em caixa é o segredo para atravessar esse período. É o famoso capital de giro, dinheiro necessário para pagar a fornecedores, a funcionários, antes de receber do cliente.

Quando não há dinheiro em caixa, sua empresa será obrigada a solicitar empréstimo, aceitar desconto para antecipar recebíveis, entre outras possibilidades. Conheça os tipos de crédito, negocie e lembre-se de incluir os juros no seu fluxo de caixa.

NEGLIGENCIAR CUSTOS

O empresário tem dois pratos para equilibrar. Um é garantir receita e manter o cliente satisfeito. O outro, tão desafiador quanto, conhecer os custos e as despesas do negócio e tentar reduzi-los, sem comprometer a qualidade do serviço final e a motivação da equipe. Quando a receita cai, não tem outra saída. Priorize a essência da empresa, elimine os excessos, aumente a produtividade.

Fonte: Folha de SP – 09/05/2016 Por Marcia Dessen

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