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O Brasil tem perto de 100 milhões de processos judiciais em tramitação, segundo o relatório “Justiça em Números 2017”, do Conselho Nacional de Justiça, e as ações levam oito anos, em media, paraA serem concluídas.

Os gastos de empresas e escritórios com demandas judiciais, excluindo as indenizações, chegam a R$ 124,81 bilhões por ano, de acordo com outro estudo, realizado para o jornal “Valor Econômico”. Nesse cenário, qualquer solução que possa ajudar a resolver conflitos de maneira mais rápida, econômica e eficiente é bem-vinda.

Foi essa a oportunidade que os advogados Alexandre Viola, 39, e Michelle Morcos, 34, vislumbraram quando trabalhavam em escritórios de advocacia e os levaram a fundar a startup Justto em 2012. “Nas reuniões com clientes, percebíamos a necessidade de uma solução que não passasse pelo judiciário nem pelas arbitragens caras que existem no mercado”, diz Viola, CEO da empresa.

O Arbitranet, a primeira câmara de arbitragem online para litígios patrimoniais, foi lançada pela empresa em 2013 como uma resposta a essa demanda.

Nas conversas que tiveram para a apresentação da solução em escritórios de advocacia e departamentos jurídicos de empresas, no entanto, os dois fundadores da Justto ouviam que o Arbitranet resolvia alguns conflitos, mas não outros, como contestações de consumidores e as litígios trabalhistas.

Essa nova reivindicação levou a Justto a trabalhar no desenvolvimento de outra solução e, em 2015, a empresa apresentou ao mercado uma ferramenta de negociação de acordos.

Conhecida atualmente como ferramenta Justto, a solução funciona no modelo de software como serviço (SaaS, na sigla em inglês) e emprega inteligência artificial para tornar as negociações mais diretas, simples e rápidas.

Os clientes da Justto programam no sistema toda a negociação, definindo as mensagens, a periodicidade e os meios – e-mail, SMS, WhatsApp ou mensagem de voz.

As pessoas contatadas podem responder pelo próprio canal pelo qual foram abordadas ou entrar no site e conversar com um chatbot.

O painel do sistema oferece às empresas ter uma visão geral de todas as negociações em andamento, saber em que estágio encontra-se cada uma delas e identificar as que necessitam de ação humana.

Com o uso da tecnologia de machine learning, a ferramenta analisa dados públicos e privados para identificar padrões que indiquem a maior ou menor probabilidade de fechamento de cada acordo “Quem controla o sistema vê esses indicadores e consegue concentrar seus esforços nas negociações que têm maior chance de êxito”, diz Viola.

A ferramenta da Justto promete reduzir em até 80% a interação humana nas negociações e diminuir o tempo de fechamento de acordos – em média, os acordos saem entre oito e dez dias com o uso da plataforma. Segundo Viola, o sistema dá retorno sobre o investimento em dois meses. Os planos de assinatura começam em R$ 500 mensais, para 50 casos por mês, e chegam a R$ 3.190, para a importação de até 500 casos mensais. Há planos sob consulta para demandas diferenciadas.

Em 2017, o total negociado na plataforma da Justto foi de US$ 172,3 milhões e o valor pago em acordos foi de UR$ 5,2 milhões. A empresa estima que a economia obtida por seus assinantes passou de R$ 12 milhões.

A plataforma é utilizada em empresas como CVC, Natura, Nestlé e Yamaha, e escritórios de advocacia, como Pereira Dabul Advogados Associados e Sette Câmara Corrêa e Bastos. “No ano passado, crescemos 50% nossa base de clientes e planejamos manter uma taxa anual de crescimento de pelo menos 30%”, diz Viola.

Para alicerçar a expansão, a empresa espera iniciar uma nova rodada de investimentos – em três rodadas anteriores captou cerca de R$ 2 milhões. Ao longo dos seis anos de atividades, outros três sócios juntaram-se aos fundadores. Atualmente, a empresa tem 20 pessoas em seu quadro de funcionários.

Fonte: Revista Pegn

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