Há muito se sabe que o sistema tributário brasileiro desandou, particularmente depois que a Constituição de 1988 liberou os estados para legislar amplamente sobre o ICMS. Perdeu-se a harmonia que bem ou mal funcionava sob a coordenação do Confaz. Eles passaram a ter autonomia para alterar alíquotas, bases de cálculo e regimes de tributação. Até mesmo a proibição, que permaneceu, de criar incentivos fiscais sem aprovação do Confaz foi solenemente ignorada pela maioria dos Estados. A guerra fiscal aumentou.
O ICMS muda setenta vezes por semana nas 27 unidades da Federação. Tornou-se a principal fonte das ineficiências da economia brasileira.
Enganou-se quem imaginava que essa situação não podia piorar. O caos aumentou com novas regras para o comércio eletrônico, as quais determinam a cobrança do ICMS no estado de consumo. O vendedor precisa inscrever-se em cada unidade da Federação e acompanhar a febril mudança das normas e das alíquotas em cada uma delas. Haja custo.
Agora, entrou em vigor outra maluquice. Os municípios conseguiram aprovar, no ano passado, uma mudança nas normas do Imposto sobre Serviços (ISS) pela qual a cobrança será feita no município onde o serviço for prestado. Isso vale para operações com cartão de crédito, leasing (arrendamento mercantil), plano de saúde e outras.
Desse modo, as empresas de cartão de crédito pagarão o ISS na cidade onde suas maquininhas estiverem localizadas. As empresas de planos de saúde pagarão o imposto nos municípios onde estão os respectivos beneficiários.
Essas e outras empresas precisarão conhecer as alíquotas e as normas do ISS em cada um dos mais de cinco mil municípios do Brasil. Vale notar que os municípios brasileiros têm autonomia para legislar sobre seus impostos, caso único no mundo. O manicômio tributário caminhará para um completo inferno.
Tudo isso mostra que o sistema de tributação do consumo do Brasil tornou-se completamente disfuncional. Não tem salvação. É incompatível com a realidade da internet, com os avanços da tecnologia digital e com a necessidade de harmonizar regras. Estamos desconectados da realidade prevalecente em mais de 150 países que adotam o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), em que o governo central arrecada o tributo e o reparte automaticamente com as distintas esferas de governo.
A Confederação Nacional dos Municípios (CMN), que conseguiu pressionar o Congresso a aprovar o monstrengo, comemora um aumento de 20% na arrecadação dos municípios. Os ganhos representarão perdas dos municípios que hoje sediam as empresas prestadoras de serviço. Alguns podem enfrentar séria crise fiscal. Não se sabe quanto a piora do caos acarretará em termos de redução do potencial de crescimento do país. Triste.
O atual sistema de tributação do consumo precisa ser jogado no lixo e substituído por um moderno Imposto sobre o Valor Agregado, arrecadado pela União e distribuído automaticamente entre as esferas federal, estadual e municipal.
Fonte: Veja
Compartilhe nas redes!
Preencha o formulário abaixo para entrar em contato conosco!
Últimos Posts:
Categorias
Arquivos
Tags
Fique por dentro de tudo e não perca nada!
Preencha seu e-mail e receba na integra os próximos posts e conteúdos!
Compartilhe nas redes:
Posts Relacionados
Fim da invisibilidade: como a Receita monitora as suas movimentações financeiras
Receita Federal monitora movimentações financeiras: sua empresa está preparada? A ideia de que movimentações bancárias passam despercebidas pela fiscalização ficou no passado. Com o avanço
Clínicas médicas podem pagar menos impostos sem serem hospitais?
Muitas clínicas médicas, laboratórios e empresas da área da saúde ainda acreditam que apenas hospitais tradicionais podem acessar determinados enquadramentos tributários mais vantajosos. No entanto,
Reforma tributária muda regras para investidor pessoa física em imóveis
Reforma Tributária muda regras para investidor pessoa física em imóveis A Reforma Tributária trouxe novas regras que merecem atenção de pessoas físicas que investem no
NFS-e nacional para empresas do Simples é adiada para novembro
NFS-e Nacional para empresas do Simples é adiada para novembro: o que muda na prática? As empresas prestadoras de serviços optantes pelo Simples Nacional ganharam
Compra e venda de bens imóveis na reforma tributária
Compra e venda de imóveis na Reforma Tributária: o que muda para empresas e investidores A Reforma Tributária trouxe mudanças importantes para diversos setores da